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adhemar ferreira da silva: helsinque 1952 e a origem da volta olímpica

adhemar ferreira da silva

adhemar ferreira da silva, primeiro bicampeão olímpico brasileiro, conquistou a finlândia e ajudou a popularizar uma tradição do esporte.

ao correr a meia maratona de helsinque em 2025, um amplo espectro de histórias do esporte nórdico se abriu.

a geração dos finlandeses voadores; a origem do treino fartlek; a participação indireta no desenvolvimento do intervalado; os jogos olímpicos de 1952, mas especialmente o feito de adhemar ferreira da silva no estádio olímpico.

em 1952, o estádio olímpico de helsinque, na finlândia, foi palco de um dos episódios mais importantes da história do esporte brasileiro. diante de milhares de espectadores, adhemar ferreira da silva conquistou a medalha de ouro no salto triplo, estabeleceu novos recordes mundiais e protagonizou uma celebração que ficaria conhecida como volta olímpica.

os primeiros jogos olímpicos

sua primeira participação olímpica aconteceu em londres, em 1948, na edição que marcou o retorno dos jogos após a segunda guerra mundial. a experiência inglesa não trouxe uma medalha, mas ajudou a preparar o caminho para o que aconteceria quatro anos depois.

era uma época ainda marcada pelo amadorismo no esporte: o nome de adhemar chegou a aparecer registrado de maneira incorreta.

helsinque, 52

quando desembarcou na finlândia para disputar os jogos olímpicos de 1952, adhemar já estava entre os principais nomes do salto triplo mundial.

interessado na cultura do país anfitrião, aproximou-se de um nórdico que estava no brasil durante a são silvestre de 1951 e aprendeu algumas palavras e expressões no idioma local.

desembarcou em helsinque para os jogos com um violão e cantando frases aprendidas; conquistou também a simpatia do público finlandês, que passou a chamá-lo simplesmente de “da silva”.

durante a competição de salto triplo, adhemar superou quatro vezes o recorde olímpico, com marcas de 16,05 m, 16,09 m, 16,12 m e 16,22 m.

a volta olímpica

depois da conquista, os espectadores começaram a gritar “da silva” nas arquibancadas do estádio olímpico de helsinque. adhemar percorreu a pista com a medalha no peito, acenando para os torcedores e o gesto passou a ser reconhecido como um dos episódios pioneiros da volta olímpica, especialmente entre atletas de modalidades individuais.

a tradição de celebrar uma conquista percorrendo o campo ou a pista já tinha antecedentes. um dos mais conhecidos ocorreu em 1924, quando a seleção uruguaia de futebol comemorou o título olímpico diante dos espectadores em paris.

a finlândia e seus corredores voadores

nas primeiras décadas do século xx, a finlândia havia se consolidado como uma potência nas provas de fundo, graças aos atletas que ficaram conhecidos como os “finlandeses voadores”.

entre eles estavam paavo nurmi e hannes kolehmainen, dois dos grandes nomes da história olímpica. ambos participaram da cerimônia de abertura dos jogos de 1952. kolehmainen foi responsável por acender a pira olímpica principal, enquanto nurmi levou a chama ao estádio.

melbourne, 56

quatro anos depois de helsinque, adhemar voltou aos jogos olímpicos, desta vez em melbourne, na austrália. mais uma vez, o brasileiro venceu o salto triplo, alcançando 16,35 metros e estabelecendo um novo recorde olímpico.

com o segundo ouro consecutivo, tornou-se o primeiro bicampeão olímpico da história do brasil. sua carreira também foi marcada por três títulos nos jogos pan-americanos: buenos aires, em 1951; cidade do méxico, em 1955; e chicago, em 1959.

na edição mexicana, atingiu 16,56 metros, novo recorde mundial e a melhor marca de sua carreira.

o campeão olímpico e jânio quadros

a projeção internacional não impediu que adhemar enfrentasse dificuldades para conciliar o esporte com a vida profissional.

funcionário da prefeitura de são paulo, precisou se ausentar do trabalho em 1953 para disputar o campeonato sul-americano de atletismo, no chile, onde conquistou mais um título. ao retornar, descobriu que os dias de ausência haviam sido descontados de seu salário.

a decisão partiu da administração do então prefeito jânio quadros, a quem se atribui uma frase que ficaria conhecida na história do atleta: “prefeitura é lugar de funcionários e não de vagabundos esportistas”.

adhemar contestou publicamente a situação e acabou demitido.

cinema e diplomacia

interessado em educação, cultura e comunicação, estudou diferentes áreas, incluindo direito, belas-artes, educação física e relações públicas. também trabalhou como escultor, jornalista e comentarista esportivo.

uma de suas experiências mais conhecidas fora das pistas aconteceu no cinema: adhemar participou do filme orfeu negro, dirigido por marcel camus e lançado em 1959. a produção, inspirada na peça orfeu da conceição, de vinicius de moraes, transportou o mito grego de orfeu para o ambiente do carnaval carioca.

o filme conquistou a palma de ouro no festival de cannes de 1959 e o oscar de melhor filme estrangeiro na cerimônia de 1960.

entre 1964 e 1967, adhemar também atuou como adido cultural do brasil em lagos, na nigéria, ampliando sua participação na representação internacional do país.

relação com os clubes e o legado

representando o são paulo futebol clube, adhemar também estabeleceu uma relação duradoura com a instituição. as duas estrelas douradas presentes no escudo são uma homenagem aos recordes mundiais alcançados pelo atleta. mais tarde, também defenderia o clube de regatas vasco da gama.

em 2012, adhemar ferreira da silva foi incluído no hall da fama da world athletics, reconhecimento reservado a grandes nomes da história do atletismo.

corredor (a). é esperando tua leitura que te mando um abraço.

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estação de metrô do aeroporto, helsinque

adhemar ferreira da silva / © jorge meditsch

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© acervo bettmann / getty images

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© acervo vasco da gama

© acervo o globo / upi

© acervo arquivo pessoal / adhemar ferreira da silva

adhemar ferreira da silva

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