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notas de rua: vilarejos com menos de 50 habitantes nas ilhas faroé

cidades nas ilhas faroé

estivemos nas ilhas faroé para correr a maratona de tórshavn, a única do país.

os últimos dias de primavera na europa são longos; na região do ártico, ainda mais. entre a desafiadora maratona de tórshavn, conhecemos cidades e vilarejos que não chegam a 50 pessoas.

gjógv, 19 habitantes

localizada em eysturoy, a segunda maior ilha do arquipélago, gjógv passou por décadas de declínio populacional e hoje conta com apenas 19 moradores. como acontece em diversas pequenas comunidades das ilhas faroé, uma igreja se destaca entre as casas. inaugurada em 1929, a igreja de gjógv marcou também um momento importante para a cultura local: foi a primeira do arquipélago a ter sua cerimônia de inauguração realizada em língua feroesa.

há ainda um contraste curioso. apesar da população diminuta, gjógv abriga uma fábrica de elementos pré-fabricados de concreto, fundada em 1982.

funningur, 44 habitantes

ainda em eysturoy, um pouco mais ao sul, está funningur, que, em 2026, registra apenas 44 habitantes.

foi a partir desses deslocamentos, começando por gjógv e funningur, que a dimensão das ilhas faroé começou a ficar mais evidente.

mikladalur, 23 habitantes

na ilha de kalsoy está mikladalur, onde vivem apenas 23 pessoas. além da pequena igreja e das tradicionais casas espalhadas pela encosta, o vilarejo guarda uma das lendas mais conhecidas das ilhas faroé: a história da selkie, criatura mitológica capaz de abandonar sua pele de foca e assumir forma humana.

segundo a lenda, um jovem de mikladalur roubou a pele de uma selkie, impedindo que ela retornasse ao mar e fazendo com que vivesse como sua esposa. anos depois, ela recuperou a pele e conseguiu fugir.

quando os homens do vilarejo planejaram uma caça às focas, ela avisou que seu companheiro e seus filhotes deveriam ser poupados. o pedido foi ignorado, e eles foram mortos. o fato levou a selkie a lançar uma maldição: homens de mikladalur morreriam no mar ou despencariam dos penhascos.

trøllanes, 11 habitantes

seguindo rumo ao norte da ilha de kalsoy, encontra-se trøllanes, um vilarejo de apenas 11 habitantes e ponto de partida para um dos cenários mais icônicos do país.

foi ali que foram filmados os últimos momentos de james bond em 007 – sem tempo para morrer. depois do lançamento do filme, uma lápide dedicada ao agente secreto foi instalada na região e pode ser alcançada a partir de trøllanes por uma trilha pelas montanhas. é uma pequena interferência cinematográfica em uma paisagem que, fora isso, parece quase intocada.

tjørnuvík, 42 habitantes

de volta à ilha de streymoy, a mesma onde fica a capital, tórshavn, está tjørnuvík. também é considerada uma das vilas mais antigas das ilhas faroé.

túmulos vikings encontrados na região são evidências da ocupação do local desde os primeiros assentamentos nórdicos no arquipélago.

uma maratona no meio do atlântico norte

a maratona de tórshavn / maratona das ilhas faroé está longe das grandes provas europeias. em 2025, apenas 105 corredores participaram da distância da maratona.

as condições ajudaram a explicar o tamanho do desafio: temperatura próxima de -1 °c, ventos que chegaram a 32,5 km/h e aproximadamente 574 metros de ganho de elevação ao longo do percurso. uma corrida pequena, difícil e pouco explorada.

corredor. é esperando tua leitura que te mando um abraço.

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